Morre Juarez Machado: conheça a trajetória do multiartista
O cenário das artes visuais brasileira perdeu um de seus grandes expoentes nesta terça-feira (6), com o falecimento de Juarez Machado aos 80 anos, em Vassouras, no interior fluminense. Com uma trajetória de mais de seis décadas, o catarinense de Joinville destacou-se internacionalmente como pintor, escultor, desenhista, ilustrador e cartunista.
Passagem marcante pelo cinema O reconhecimento global de Juarez alcançou um patamar curioso no início dos anos 2000, quando suas telas serviram de inspiração direta para o premiado filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. O diretor Jean-Pierre Jeunet utilizou a paleta de cores e o estilo do artista brasileiro para moldar a estética da produção. Dois quadros do pintor catarinense inclusive aparecem na obra cinematográfica, posicionados ao lado da cama da protagonista.
O início da carreira em Curitiba Muito antes de conquistar Paris e as telas do cinema mundial, foi na capital paranaense que o artista deu os primeiros passos oficiais na carreira, comercializando seu primeiro quadro e realizando sua primeira exposição individual. Durante os anos 1960, frequentou assiduamente a tradicional Galeria Cocaco, ponto de encontro da intelectualidade modernista da época, onde exibia seus trabalhos iniciais focados no desenho e no humor gráfico.
Inovação na televisão e na imprensa Além das telas e galerias, Juarez deixou sua marca na televisão e nos jornais brasileiros. Na década de 1970, integrou a equipe de criação do programa Fantástico, na Rede Globo, atuando como cenógrafo e pioneiro do desenho de humor, onde se apresentava como mímico interagindo com suas próprias ilustrações. Durante o período da ditadura militar, utilizou seu talento como chargista em veículos de grande circulação para driblar a censura com críticas ácidas e bem-humoradas.
Legado duradouro Consagrado em vida por críticos e pelo público, o multiartista celebrou seus 80 anos com uma grande exposição retrospectiva no Museu Oscar Niemeyer (MON), reunindo centenas de obras que resumiram sua jornada criativa. Seu legado permanece vivo através do Instituto Internacional Juarez Machado, fundado em 2014 em sua cidade natal para preservar e difundir sua vasta produção artística.
Por Redação Acontece
Reprodução / Divulgação / Dico Kremer

