BRDE leva modelo paranaense de créditos de biodiversidade à COP17
A atuação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) na implementação de um mercado pioneiro de créditos de biodiversidade no Paraná foi o grande destaque do Fórum de Negócios e Biodiversidade da COP17, sediado em Yerevan, na Armênia.
Apresentação internacional na Armênia
Durante um painel voltado à captação de recursos para a preservação ambiental, Lisiane Astarita, gerente de Planejamento da instituição financeira no estado, expôs o projeto construído em colaboração com o Instituto LIFE e o Governo do Paraná. O evento global da ONU teve início em 19 de outubro e sua programação seguiu até o dia 30 de outubro.
O evento debateu estratégias para redirecionar aportes financeiros e atualizar diretrizes econômicas, visando cumprir as metas do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal. O tratado, formalizado em 2022, estipula 23 objetivos até o horizonte de 2030, o que engaja a captação mínima anual de US$ 200 bilhões para a preservação e recuperação ambiental.
Debate com líderes globais
A condução do painel ficou a cargo de Jessica Smith, que lidera o setor de natureza na Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI). A mesa de debates contou com delegações da Espanha e África do Sul, além da montadora chinesa de veículos elétricos NIO e da instituição financeira holandesa Rabobank, destacando o BRDE como o único representante do Brasil na partilha de estratégias financeiras verdes.
O foco da apresentação esteve no projeto-piloto de créditos ambientais estruturado em conjunto com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e o Instituto LIFE. O programa destina um montante de até R$ 2 milhões para a compra de créditos provenientes da proteção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), exigindo validação independente dos ganhos ecológicos. Ao todo, sete reservas foram integradas ao projeto inicial.
Incentivo à preservação ambiental
O arranjo econômico tem como finalidade garantir remuneração aos donos de terras que mantêm áreas nativas intactas, fomentando incentivos diretos à conservação. Ao garantir a compra inicial desses créditos, o BRDE fomenta o interesse por um mecanismo financeiro ainda em fase de consolidação no país.
“Nossa experiência busca criar as condições iniciais para um mercado que, no futuro, possa mobilizar investidores e compradores além das instituições públicas”, afirma Lisiane.
Metas globais e financiamento sustentável
A programação também debateu mecanismos globais de capital verde, contemplando o apoio do Rabobank à agropecuária sustentável, a inserção empresarial na conservação e a divisão de ganhos econômicos com dados genéticos. A atenção se voltou para as metas 18 e 19 do pacto de Kunming-Montreal, focadas na eliminação de subsídios nocivos à natureza e na ampliação de verbas para o setor.
Para as instituições de fomento, o cenário demonstra o papel de catalisadoras na criação de novos mercados, conectando o poder público, donos de áreas preservadas e o capital privado. O projeto exposto consolida a agenda de financiamento sustentável da instituição, tocada por meio do Fundo Verde e de Equidade e do Banco Verde, além do alinhamento da entidade aos Princípios para a Responsabilidade Bancária da UNEP FI.
Por Redação Max Notiia
Crédito das imagens: Divulgação / BRDE
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