Colégio florestal no Paraná movimenta quase R$ 1 mi em 2026
O Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva, localizado em Irati, na região Centro-Sul do paranaense, já registrou uma movimentação financeira de quase R$ 1 milhão em 2026, impulsionado pela venda de madeira e pela alta produtividade de seu viveiro.
Ensino prático e rotina de internato Com cerca de 300 alunos matriculados, a unidade de ensino alia o aprendizado teórico ao cultivo de árvores em regime de internato. Irati e Ortigueira são as únicas duas escolas dentre os 31 colégios agrícolas da rede estadual do Paraná voltadas ao setor florestal. Diferente de Ortigueira, que foca na operação mecanizada sem áreas de cultivo próprias, a escola iratiense executa todas as fases do ciclo produtivo, desde a semente até a comercialização final.
O secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, pontua a relevância da metodologia aplicada. “O Paraná tem forte vocação para o setor florestal e precisa de profissionais preparados para atuar com tecnologia, produtividade e responsabilidade ambiental. Quando o estudante acompanha todo esse processo dentro da escola, ele relaciona o conhecimento técnico às situações que encontrará no mundo do trabalho”, afirma.
Estrutura gigante e ciclo completo Fundado em 1973 como o pioneiro na América Latina em seu segmento, o espaço abrange uma extensão de 173 hectares — o equivalente a cerca de 240 campos de futebol. Desse total, 34% são ocupados por plantações de pinus, eucalipto, araucária e erva-mate, enquanto o restante abriga edificações, vias de circulação e áreas de preservação nativa.
Os alunos participam ativamente de todas as etapas produtivas, que abrangem desde a análise do solo e plantio até o desbaste e a colheita. Gilcinei Linhares, diretor da Unidade Didático-Produtiva (UDP), detalha a rotina: “Eles aprendem a analisar o solo, produzir mudas, realizar o manejo, operar equipamentos, entender o destino comercial de cada produto, além de conhecer a legislação florestal. É uma formação que une conhecimento técnico, responsabilidade ambiental e experiência profissional”, diz.
Comercialização expressiva e vivência dos alunos As vendas de madeira renderam quase R$ 800 mil brutos neste ano, abastecendo serrarias, fabricantes de MDF e o setor energético. O estudante Luis Eduardo Srutkowski, de 18 anos, destaca a imersão na rotina de trabalho. “Minha família sempre esteve ligada à atividade florestal, e isso influenciou minha escolha pelo curso. O diferencial daqui é aprender fazendo. Desde o primeiro ano, participamos da produção de mudas, do plantio e do manejo das árvores. São atividades que exigem conhecimento, atenção e responsabilidade, principalmente quando envolvem equipamentos como a motosserra”, conta.
Já o viveiro institucional gera meio milhão de mudas anualmente, entre nativas e exóticas, comercializadas a cerca de R$ 200 mil em 2026. A cooperativa escolar gerencia esses recursos, reinvestindo os ganhos em melhorias tecnológicas para o próprio campus. Enaiale Caroline de Paula, ex-aluna e hoje docente na instituição, relembra o impacto em sua trajetória: “Quando ingressei na faculdade de Agronomia, já tinha experiência em manejo do solo, topografia e silvicultura, o que facilitou muito meu aprendizado. Além do conhecimento técnico, o colégio me ensinou responsabilidade, trabalho em equipe e respeito às diferenças”, relembra.
A instituição consolida sua importância em um estado que é o segundo maior produtor nacional de pinus, cuja atividade econômica estadual movimentou R$ 9,7 bilhões em 2025, impulsionando também parcerias científicas com universidades e cursos noturnos de segurança do trabalho.
\Por Redação Max Notiia \
Créditos das imagens: Divulgação / SEED-PR
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