Tornado em Chapecó: passageira relata pânico dentro de avião
Uma manhã de viagem que deveria ser comum transformou-se em um cenário de destruição para a paranaense Andrea Cristina Viganó. Na última quarta-feira (4), ela estava a bordo de uma aeronave no Aeroporto de Chapecó, em Santa Catarina, quando um tornado atingiu a região. O avião, que se preparava para decolar, chegou a ser deslocado pela força das rajadas de vento antes que o voo fosse cancelado.
O relato do momento crítico
A passageira, natural de Pato Branco, descreveu a sensação de impotência ao perceber que o tempo mudava rapidamente enquanto a aeronave se posicionava na pista. Segundo ela, a tripulação tentou agilizar o embarque devido aos avisos meteorológicos, mas a intensidade da tempestade forçou uma parada inesperada.
“Começou a aumentar, aumentar, aumentar. Foi um momento até que eu comecei a gravar o vídeo, porque a gente sentia o avião mexendo, embora eu olhasse pela janela e soubesse que o avião estava parado. Era uma sensação muito estranha, porque o avião balançava muito, sabe? Era algo fora do normal”, relatou.
O comandante informou aos passageiros que ventos de até 140 km/h atingiam o local, fazendo com que a aeronave de 77 toneladas fosse arrastada pelo pátio. “E aí, naquele momento, a gente realmente ficou bem apreensivo, porque nós não sabia, não dava para ver muita coisa do avião. Era só realmente a chuva, e sentia todo esse balanço”, contou.
Cenário de destruição no aeroporto
Após a diminuição do fenômeno, a realidade do lado de fora era desoladora. O desembarque demorou mais de uma hora, pois os equipamentos de solo foram atingidos pelos escombros. “Ele falou que não havia nenhuma escada mais disponível para a gente descer do avião, porque todas as escadas estavam embaixo dos escombros. […] E aí é que a gente começou a olhar para fora e realmente enxergar o que tinha acontecido, porque os barracões estavam no chão, o terminal de cargas não existia mais”, afirmou.
Ao conseguir sair, Andrea descreveu o choque ao ver o cenário pós-tornado. “Para todos os lados que você olhava, você via só destroços e nada daquilo fazia sentido para a gente, porque a gente não tinha entendido até então que era um tornado que tinha passado ali”, disse. O carro da passageira, que estava no estacionamento, também foi avariado pela força da natureza.
Impactos do fenômeno
A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a passagem do tornado. Estações meteorológicas registraram rajadas entre 93 km/h e 126 km/h. A Voe Xap, concessionária responsável pela administração do aeroporto, suspendeu as operações por tempo indeterminado para realizar vistorias e reparos na infraestrutura.
Quanto à viagem, que tinha como destino uma convenção em Campinas (SP), os planos foram frustrados. Andrea agora planeja retornar ao Paraná de carro, mesmo com as avarias no veículo. “Eu acredito que nós vamos conseguir voltar mesmo com o meu carro, amanhã, mesmo sem retrovisor, mas vamos devagarinho”, concluiu.
A situação no aeroporto permanece sob monitoramento das autoridades, enquanto passageiros são orientados a buscar informações diretamente com as companhias aéreas sobre o status de seus bilhetes.
“Foi uma coisa muito estranha, porque nós entramos no avião e saímos de um aeroporto perfeito. […] Dentro da tempestade, nós passamos uns dez minutos e, quando nós saímos disso, não existia mais aeroporto”, contou.
“Por Redação Max Notiia
Créditos das imagens: Andrea Viganó”
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