Advogada recebe medida protetiva após ser atacada por homem condenado a pagar pensão alimentícia em processo em que ela atuou

Advogada ganha medida protetiva após ataque em Curitiba

Brasil

Uma jurista que atua na capital paranaense obteve uma ordem judicial de proteção de urgência após ser alvo de uma agressão no último sábado (29). O caso decorre de sua atuação profissional em um litígio sobre pensão alimentícia.

Decisão inédita no Paraná

O Plantão Judiciário emitiu a determinação no domingo (30), apenas um dia após o incidente. A justiça apontou um perigo real e imediato à integridade física e mental daofendida.

A medida segue a diretriz do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite o uso da Lei Maria da Penha em episódios de agressão contra mulheres motivadas por questão de gênero, mesmo sem vínculo familiar ou afetivo entre as partes. Trata-se do primeiro registro dessa natureza envolvendo aadvocaciaparanaense, conforme a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).

Dinâmica da violência e histórico de intimidações

Câmeras de segurança flagraram o momento em que aprofissionalse preparava para deixar sua garagem. Juliano Muniz dos Santos, ex-marido de sua cliente, emparelhou outro veículo e colidiu propositalmente contra o carro dela após acelerar.

As ameaças teriam começado em julho, após a determinação judicial para que o homem quitasse o débito dealimentoscom os três filhos. Conforme a defesa, o suspeito enviava recados intimidadores, rondava a residência da vítima e esteve no escritório dela na véspera da batida.

Com o atendimento do pleito pela OAB-PR e a notificação formal, o agressor está rigorosamente proibido de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com avítima.

Enquadramento legal e contexto amplo

A Polícia Civil autuou o caso como tentativa de homicídio simples e coação no curso do processo. O suspeito não possui defensor constituído nos autos até o momento.

A presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-PR, Aline Andriolli, classificou o episódio como emblemático. Para ela, a jurisprudência assegura que o Estado proteja mulheres em qualquer cenário de agressão baseada no gênero, extrapolando os limites do ambiente doméstico.

Em agosto, o STF firmou o entendimento de que tais proteções urgentes cabem em situações de perseguição e assédio motivadas por gênero fora de relações íntimas. A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, homenageia a farmacêutica sobrevivente de feminicídio e constitui o principal marco normativo contra a violência feminina no país.

Por Redação Acontece

Foto: Reprodução / Câmeras de segurança e Rede Globo

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