Crise na Argentina: Jovens deixam o país em busca de trabalho no Brasil

Crise na Argentina: Jovens deixam o país em busca de trabalho no Brasil

A situação socioeconômica da Argentina sob a administração do presidente Javier Milei tem gerado forte evasão de trabalhadores para o território brasileiro. Dados oficiais apontam que a taxa de desemprego alcançou 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, representando um acréscimo de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

O drama em Puerto Iguazú

Morador de Puerto Iguazú, o ajudante de pedreiro Facundo Ramon Álvarez relata as dificuldades enfrentadas no país vizinho, onde permanece atualmente apenas para manter proximidade com os pais idosos. O profissional planeja fixar residência em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde já vivem parentes que recebem remunerações diárias expressivas.

“Eu tenho um sonho, eu quero fazer muitas coisas, mas não posso realizar esse sonho aqui.”

“Para mim é um sonho. Lá, a maioria é tudo argentino. Aqui, o que te paga não te alcança. Aqui, não posso comprar uma moto, carro e nem roupa. Não posso imaginar quem tem filhos aqui”, afirma.

A expansão do trabalho informal e autônomo

Profissionais liberais e vendedores ambulantes também enfrentam cenários dramáticos nas ruas argentinas, recorrendo a jornadas exaustivas e deslocamentos diários para garantir o sustento básico diário. A precarização das relações trabalhistas tem obrigado muitos cidadãos a buscarem alternativas por conta própria para escapar da pobreza extrema.

“Gostaria de ganhar um pouco mais, porém tem que ter alguém que me dê oportunidade.”

Especialistas acadêmicos apontam que o desemprego real pode ser significativamente superior aos índices oficiais, atingindo patamares alarmantes que remetem a crises históricas passadas. O fenômeno tem consolidado o chamado empreendedorismo de sobrevivência, no qual o cidadão comum abre pequenos negócios informais apenas para garantir a própria subsistência alimentar.

Impacto da abertura econômica e alinhamento externo

A política econômica implementada pelo atual governo também provocou o fechamento expressivo de indústrias e empresas locais, incapazes de concorrer com o avanço das importações estrangeiras. Esse cenário industrial fragilizado redirecionou grandes capitais para setores voltados à exploração de recursos naturais, como a mineração e a extração de petróleo e gás de xisto.

“O desemprego não tem chegado a dois dígitos porque boa parte do emprego formal virou emprego informal”, frisa.

“Todo tecido industrial da Argentina vem sendo destruído com consequências sociais e ambientais. No cenário internacional, o governo Milei alinha-se aos Estados Unidos, que têm interesse nos recursos naturais”, salienta.

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