As gravações das câmeras corporais entregues à Justiça pela Guarda Municipal de Londrina, no Paraná, sobre a morte de Murilo Dias, de 15 anos, geraram questionamentos jurídicos. Os arquivos fornecidos começam a registrar a cena apenas após o falecimento do jovem, baleado durante uma operação policial no dia 31 de julho.
Controvérsia sobre a abordagem A corporação não explicou os motivos para a ausência do registro integral da ocorrência. O processo corre em segredo de justiça e os nomes dos agentes envolvidos não foram revelados.
Segundo a versão oficial da Guarda Municipal, a equipe perseguia Volmir Dias, pai da vítima, após uma denúncia de disparo de arma de fogo em uma pizzaria. O veículo conduzido por Volmir bateu contra um poste após atropelar um motociclista próximo ao Ginásio de Esportes Moringão.
Enquanto o motorista se entregava, a corporação alega que o adolescente resistiu à ordem de saída e tentou sacar um revólver, o que motivou o disparo fatal por parte de um dos agentes.
Versão da família e contestação legal Em depoimento à Polícia Civil, Volmir negou que o filho estivesse armado e afirmou que Murilo sofreu uma crise de epilepsia no momento da abordagem. O pai foi preso em flagrante por diversos crimes, mas obteve liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica em 1 de agosto.
A defesa da família contestou formalmente a entrega parcial dos arquivos de vídeo. Os advogados solicitaram à Justiça que exija da corporação os registros completos, sem edições, além de metadados, logs e identificação dos equipamentos utilizados pelos agentes para esclarecer a falta de imagens do momento central do crime.
Consequências administrativas O comando da corporação confirmou que os agentes envolvidos na ação foram afastados de suas funções operacionais. A Corregedoria-Geral do Município instaurou procedimentos internos para investigar todas as circunstâncias que envolveram o óbito do adolescente.
Por Redação Acontece
Imagens: Reprodução / Eduardo Araújo/Londrina News / Redes Sociais

