A superlotação dos cemitérios públicos em Foz do Iguaçu, no Oeste paranaense, resultou em uma situação crítica na qual seis corpos aguardam sepultamento em câmaras frias nesta quinta-feira (3). Deste total, cinco vítimas estão armazenadas no Hospital Municipal Padre Germano Lauck e uma permanece sob os cuidados da Polícia Científica.
Situação nas câmaras frias
No Hospital Municipal, cinco das nove vagas disponíveis nos refrigeradores estão ocupadas. De acordo com a Camis, concessionária responsável pela administração, manutenção e operação dos cinco cemitérios públicos do município, os corpos pertencem a pessoas não identificadas que continuam à espera de liberação de espaço para o sepultamento.
Nos últimos dois meses, a empresa abriu 10 jazigos gratuitos no Cemitério Municipal Parque Nacional para tentar solucionar o problema, mas apenas um corpo pôde ser exumado. Nos outros nove locais, os restos mortais ainda estavam íntegros, impossibilitando a liberação das vagas. A concessionária prevê a liberação de cerca de 14 jazigos adicionais ao longo de setembro, sem data definida.
Historicamente, a média de sepultamentos gratuitos na cidade é de aproximadamente 24 por mês. Contudo, nos primeiros oito meses de 2026, esse índice registrou uma queda, alcançando uma média de cerca de 19,4 sepultamentos mensais.
Disputa judicial e plano de emergência
A crise de espaço ocorre em meio a um embate jurídico e administrativo entre a prefeitura e a Camis. Na última quarta-feira (2), a administração municipal abriu um processo administrativo contra a empresa por supostos descumprimentos contratuais, dando um prazo de cinco dias para apresentação de defesa.
Em contrapartida, a concessionária classificou as acusações como infundidas e alegou que já havia alertado o poder público sobre a exaustão das vagas. A polêmica também é debatida na Justiça, onde a empresa ajuizou uma ação contra a prefeitura relatando a retenção de corpos em câmaras frias por falta de espaço.
Diante do risco sanitário e da gravidade do cenário, o juiz Rogério de Vidal Cunha, do 3º Juizado Especial da Fazenda Pública de Foz do Iguaçu, ordenou que a prefeitura apresente um Plano de Ação Emergencial no prazo de cinco dias para cobrir os próximos 30 dias.
Propostas e capacidade futura
Enquanto a prefeitura aponta alternativas técnicas que preveem a criação de centenas de novas vagas nos cemitérios Jardim São Paulo e Três Lagoas, além de uma expansão superior a 9 mil jazigos, a concessionária argumenta que possui licença ambiental para ampliar o Jardim São Paulo, mas condiciona os investimentos à renovação do contrato de concessão, vigente desde 2008. Por sua vez, o município vistoriou o Cemitério Jardim São Paulo e identificou potencial para abrir cerca de 50 novas vagas, cuja disponibilidade ainda depende da execução de etapas burocráticas e estruturais.
Por Redação Acontece
Cemitério Jardim São Paulo e Hospital Municipal Padre Germano Lauck / Divulgação

