Paraná supera meta global de aleitamento materno e amplia rastreio

Paraná supera meta global de aleitamento materno e amplia rastreio

O monitoramento do perfil nutricional e dos hábitos alimentares dos paranaenses pelo Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um salto expressivo na última década, conforme dados consolidados pela Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR). A taxa de cobertura de avaliações antropométricas, que incluem peso e altura na Atenção Primária à Saúde (APS), quase quintuplicou entre 2012 e 2025, passando de 7,60% para 39,16% da população-alvo.

Expansão no rastreio alimentar Em termos práticos, o volume de pessoas avaliadas subiu de aproximadamente 804 mil para 4,13 milhões em todo o território estadual. O monitoramento de marcadores de consumo alimentar, ferramenta que avalia hábitos diários de alimentação, também apresentou forte expansão desde a sua implementação em 2015, saltando de 16.885 para 501.551 registros em 2025.

Essa grande capilaridade permitiu ao governo criar um panorama detalhado da saúde nutricional em todas as regiões, impulsionado por ações ativas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e por incentivos financeiros vinculados ao desempenho dos municípios.

Avanço na saúde materno-infantil Com a robustez dos dados coletados, o Estado registrou conquistas expressivas na área materno-infantil, superando a meta global de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto o índice global estipulado para 2025 era de 50%, o Paraná alcançou a marca de 57% de bebês amamentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade.

Esse cuidado inicial refletiu na queda histórica de índices negativos: a desnutrição entre crianças de 6 a 24 meses recuou para 3,25% (menor patamar da série histórica), e a obesidade em bebês menores de seis meses caiu de 6,06% em 2014 para 1,86% em 2025. A desnutrição em gestantes também diminuiu, passando de 17,53% em 2012 para 9,86%.

Desafio do excesso de peso Apesar dos avanços na primeira infância, o levantamento aponta o excesso de peso, que engloba sobrepeso e obesidade, como um dos maiores desafios atuais de saúde pública. O acúmulo de gordura corporal cresce ao longo dos ciclos da vida, exigindo atenção contínua das redes de atendimento.

Entre os estudantes de 5 a 10 anos, após um pico durante a pandemia, a obesidade fechou 2025 em 17%, embora o excesso de peso já afete mais de 34% dos alunos. Na adolescência, a taxa de obesidade disparou de 8,12% em 2012 para 17,35% em 2025. Na fase adulta, o problema atinge 72,45% das pessoas acompanhadas pela rede pública, sendo que 38,31% já apresentam quadros de obesidade. Entre idosos, mais de 55% têm sobrepeso, enquanto a desnutrição nessa faixa etária supera 10%.

Consumo de ultraprocessados O cruzamento das informações revela que, embora a base tradicional com feijão, frutas e hortaliças se mantenha forte em todas as idades, o consumo de alimentos ultraprocessados é alarmante. Cerca de 80% das crianças a partir de dois anos, adolescentes e adultos consomem itens como biscoitos recheados, salgadinhos e macarrão instantâneo. Além disso, bebidas adoçadas fazem parte da rotina de 63% das crianças pequenas e quase 70% dos adolescentes.

Para combater esse cenário, o Governo do Estado tem capacitado profissionais da Atenção Primária, distribuído milhares de exemplares de guias alimentares e articulado ações intersetoriais entre os 399 municípios para promover a segurança alimentar e nutricional.

Entre 2020 e 2026, a rede pública promoveu mais de 96 mil atividades coletivas sobre alimentação saudável e realizou 1,7 milhão de consultas voltadas ao tratamento da obesidade, consolidando a Atenção Primária como o principal pilar de suporte nutricional no SUS paranaense.

Por Redação Max Notiia

Créditos das imagens: Divulgação / Sesa-PR

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