Aluna da rede estadual lança livro após intercâmbio na Irlanda
A realização de um sonho de infância levou a estudante Pietra Nisgoski Brandoli a transformar suas memórias de intercâmbio na obra “Quando ganhei o mundo”. Aluna do Colégio Estadual José Armim Matte, em Chopinzinho, na região Sudoeste do Paraná, ela foi selecionada para o programa Ganhando o Mundo e passou o primeiro semestre letivo de 2026 estudando na Irlanda.
No dia em que se celebra o Dia Nacional do Livro, data voltada para valorizar a literatura e as práticas pedagógicas nas mais de 2 mil escolas estaduais do Paraná, o exemplo da jovem ganha visibilidade.
Origem do projeto literário
O livro surgiu como cumprimento de uma exigência do próprio programa de intercâmbio, que pede aos participantes a entrega de um projeto final de livre escolha sobre a vivência internacional. A adolescente, que viajou aos 15 anos e completou 16 em solo irlandês, transformou a atividade acadêmica em uma missão para motivar outros alunos da rede pública.
“Decidi escrever o livro porque o intercâmbio foi grande demais para caber só dentro de mim. Era a experiência mais intensa da vida e eu sabia que, se não escrevesse, muitos detalhes se perderiam com o tempo”, explica Pietra.
“Começou como o projeto final do Ganhando o Mundo, mas virou uma necessidade de registrar cada frio na barriga, cada dificuldade com o idioma, as amizades novas, a saudade de Chopinzinho e o quanto eu amadureci. Quando me preparava para ir, procurei relatos de outros intercambistas de escola pública e não achei muitos. Pensei: por que não ser eu essa referência? Quero que a menina do 9º ano olhe para o programa e pense que ela também pode”, relata a estudante.
Com a supervisão da professora Fabiana Duarte Nodari e o auxílio da família na organização e produção física, o que seria um trabalho simples virou uma edição impressa.
“Eu imaginava um livrinho simples, só para mim e para minha família. Jamais imaginei pegar ele impresso nas minhas mãos, com uma capa linda e meu nome como autora. É a prova de que uma aluna de escola pública, do interior do Paraná, pode sonhar grande e realizar”, celebra a jovem.
Reconhecimento institucional
Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o projeto reflete os objetivos das políticas públicas educacionais, que estimulam a autonomia, a vivência internacional e o pensamento crítico.
“A atitude da Pietra nos enche de orgulho porque traduz exatamente o propósito das nossas políticas públicas. O Ganhando o Mundo não transforma apenas a visão de futuro do aluno que viaja, mas reverbera em toda a comunidade escolar. Ver uma estudante registrar sua trajetória de forma tão sensível e madura em um livro próprio mostra que nossas escolas formam protagonistas capazes de inspirar milhares de outros jovens paranaenses”, afirma.
O livro “Quando ganhei o mundo” está disponível para compra na internet através de um link específico.
Democratização da leitura no Paraná
O acesso a obras literárias na rede pública conta com o auxílio do Leia Paraná, uma plataforma digital gratuita que oferece um catálogo diversificado para estudantes e professores. O sistema pode ser acessado de qualquer lugar por computadores e celulares.
Em 2025, os alunos da rede estadual superaram 1,1 milhão de leituras na ferramenta, acumulando mais de 6,1 milhões de empréstimos e 1 milhão de horas dedicadas à leitura.
Entre os livros físicos mais buscados nas bibliotecas escolares estão “Diário de um Banana”, “O Pequeno Príncipe” e “O Diário de Anne Frank”. Já na plataforma digital, os destaques de leitura são “O Mágico de Oz”, com 167.367 acessos; “A Ilha do Tesouro”, com 129.628; e “Turma da Mônica: Laços”, que registra 118.657 leituras.
Sobre o programa Ganhando o Mundo
Considerado o maior programa de intercâmbio estudantil do Brasil, o Ganhando o Mundo já beneficiou mais de 4,5 mil alunos da rede estadual do Paraná desde 2022, oferecendo temporadas de quase cinco meses em países anglófonos com todas as despesas pagas pelo Governo do Estado.
Para o ciclo de 2027, as vagas contemplam viagens para Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, ultrapassando a marca de R$ 500 milhões em investimentos totais na iniciativa.
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