Itaipu busca na Justiça R$ 1 bilhão retido em banco do Paraguai

Itaipu busca na Justiça R$ 1 bilhão retido em banco do Paraguai

A margem paraguaia da Itaipu Binacional mantinha cerca de R$ 1 bilhão em uma instituição financeira do país vizinho que teve as atividades paralisadas na última terça-feira (3), em decorrência de irregularidades detectadas pelo Banco Central local. Diante do cenário, a usina anunciou neste sábado (7) o início de ações judiciais para reaver os valores retidos.

A autonomia administrativa da usina Embora a Itaipu seja uma hidrelétrica administrada em conjunto pelo Brasil e pelo Paraguai, com divisão igualitária da energia gerada, cada nação mantém sua própria estrutura financeira e administrativa. Isso confere autonomia para a gestão dos recursos sob sua tutela, seguindo as diretrizes internas da própria entidade.

Detalhes dos valores bloqueados Conforme dados divulgados pela administração paraguaia, os montantes depositados na instituição somavam US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis na data do bloqueo, totalizando aproximadamente US$ 182,2 milhões, ou pouco mais de R$ 1 bilhão.

Essas reservas financeiras tinham como finalidade a quitação de obrigações contratuais e compromissos firmados em convênios. Parte da verba também era oriunda de repasses realizados pela Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), a empresa estatal encarregada do setor elétrico no território paraguaio.

Posicionamento da gestão brasileira Em nota enviada, a administração brasileira de Itaipu esclareceu que não havia recursos sob sua gestão depositados ou aplicados no Ueno Bank.

“A operação da Itaipu segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia”, informou.

A representação brasileira destacou ainda que suas aplicações financeiras seguem critérios internos de segurança, liquidez e rentabilidade.

Medidas jurídicas e histórico de aplicações Para tentar reaver o montante, a administração paraguaia acionou a Procuradoria-Geral do Estado do Paraguai e acompanha os trâmites estipulados pelo Banco Central para a restituição dos valores. A parceria com a instituição financeira havia começado em janeiro de 2025, após aprovação da Diretoria Executiva e checagem de classificação de risco exigida.

A gestão paraguaia informou que costuma fracionar seus ativos entre diversas instituições para mitigar riscos. Entre 2024 e 2026, a hidrelétrica recebeu mais de US$ 2,4 bilhões transferidos do Brasil para o Paraguai, gerando cerca de US$ 450 milhões em rendimentos. O valor preso no banco representava 7,6% desse total remetido. Até o momento, não há prazos definidos para o ressarcimento.

Instabilidade no sistema financeiro e político A suspensão das atividades do banco atingiu diversos clientes, incluindo cidadãos brasileiros que residem, estudam ou investem na região de fronteira. A crise econômica coincide com um momento de forte instabilidade política no país, culminando no impeachment do ex-presidente Santiago Peña e na posse do vice Pedro Alliana.

A Itaipu segue monitorando os desdobramentos judiciais e econômicos enquanto aguarda definições sobre o futuro dos recursos retidos no sistema bancário paraguaio.

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