Presidente da Câmara de Guarapuava é alvo de operação que apura esquema de corrupção envolvendo ex-secretário e empresários

Presidente da Câmara de Guarapuava é alvo de operação do Gepatria

Brasil

O presidente da Câmara de Vereadores de Guarapuava, Pedro Moraes (MDB), e diversos empresários foram alvos de uma operação policial nesta quarta-feira (26). A ação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão para apurar um suposto esquema de corrupção voltado para a regularização irregular de uma farmácia na cidade, que operava sem a devida licença de obras entre 2022 e 2023.

Investigação sobre liberação ilegal de obra

De acordo com o Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), a construção do estabelecimento teve início em 2019 sem aprovação prévia de projetos ou alvará. Após a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo embargar o local e ameaçar um embargo judicial, os proprietários buscaram o auxílio político do chefe do Legislativo municipal em agosto de 2023.

As suspeitas apontam que o parlamentar e os empresários combinaram o pagamento de cerca de R$ 100 mil em propina para intermediar a liberação da edificação. O esquema também teria contado com a participação de um servidor da Câmara, um funcionário da prefeitura e três sócios da empresa responsável pelo empreendimento.

Envolvimento da Secretaria de Habitação

Durante as diligências, os investigadores identificaram movimentações financeiras suspeitas nas contas do ex-secretário municipal de Habitação e Urbanismo, Danilo Dominico — que atualmente atua como vereador —, além de um servidor do setor tributário. Embora não tenha sido alvo direto nesta fase, Dominico é investigado por assinar pessoalmente o alvará da farmácia, mesmo sem formação técnica em Engenharia Civil ou Arquitetura, após técnicos se recusarem a chancelar os documentos.

Outro ponto levantado aponta que o então diretor de Arrecadação substituiu um laudo imobiliário para reduzir os tributos devidos pelos empresários através de concessão onerosa.

Posicionamento dos citados

Por meio de vídeo nas redes sociais, Pedro Moraes negou veementemente as acusações, declarou-se inocente, afirmou que nunca recebeu propina e classificou a ação como perseguição da velha política. A defesa de Danilo Dominico negou o recebimento de valores ilícitos e destacou que o cliente permanece à disposição da Justiça.

Em nota oficial, a Câmara Municipal de Guarapuava confirmou o cumprimento dos mandados judiciais em suas dependências, ressaltando que colaborou com os agentes e que aguarda acesso integral ao processo para se manifestar sobre o mérito. O Gepatria informou que as investigações continuam para identificar novos envolvidos e reunir provas adicionais.

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