MPPR denuncia pai e três filhos por quádruplo homicídio no PR

MPPR denuncia pai e três filhos por quádruplo homicídio no PR

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia contra Antônio Buscariollo, pai, e seus três filhos — Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo —, acusados de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada. O caso, que chocou o Noroeste paranaense, resultou na morte de quatro homens em agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma.

Motivação e execução do crime De acordo com as apurações conduzidas pela Polícia Civil do Paraná, a chacina foi motivada por uma dívida de R$ 255 mil decorrente da negociação de um terreno. As vítimas foram identificadas como Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto (SP) com destino ao Paraná para se encontrarem com Alencar e realizarem a cobrança junto à família Buscariollo. O montante era dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, que nunca foram quitadas. Os cobradores tinham combinado que receberiam metade de tudo o que conseguissem arrecadar.

A última aparição com vida ocorreu em uma padaria na manhã do dia 5 de agosto, e o último contato com os familiares aconteceu por volta do meio-dia. Conforme a investigação, os quatro foram atraídos para uma emboscada na propriedade rural dos suspeitos logo após retornarem ao local, por volta das 12h30, sendo executados a tiros. Tanto os automóveis quanto os corpos foram ocultados em um bunker subterrâneo a cerca de 14 km de distância, sendo descobertos mais de um mês depois. Procurado, o advogado Renan Farah, defensor da família Buscariollo, declarou que irá se manifestar após a intimação oficial da Justiça.

Detalhes da denúncia e acusações graves A Promotoria de Justiça de Icaraíma protocolou a acusação formal e sustentou as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, emboscada e utilização de armas de uso restrito. Além disso, o órgão ministerial requereu judicialmente a fixação de um valor mínimo de R$ 500 mil a título de reparação cível por danos morais e materiais aos familiares de cada uma das quatro vítimas.

Os investigadores apontam Carlos Henrique como o principal mandante, por ser o administrador da dívida cobrada, enquanto os demais familiares dividiram as tarefas da execução e ocultação. O MPPR também destacou que os suspeitos tentaram atrapalhar o andamento das indagações policiais. Segundo o órgão, “os denunciados teriam agido de forma conjunta e coordenada para apagar dados e alterar sistemas de aparelhos celulares apreendidos e periciados pela autoridade policial”.

Histórico de crimes e capturas dos foragidos As autoridades apontam que o núcleo familiar operava desde 2023 em esquemas de fraudes patrimoniais imobiliárias, adulteração de sinais identificadores de veículos, ocultação de cadáveres e fraudes processuais. O MPPR informou que “foram identificados, a partir das apurações, veículos com placas adulteradas, circulação financeira clandestina e ainda estruturas físicas como esconderijos subterrâneos de alvenaria (bunkers) construídos em áreas rurais que seriam utilizados pelos criminosos”.

Após mais de um ano na condição de foragidos, Antônio e Paulo Ricardo foram localizados em um sítio no município de Rio das Pedras (SP), ostentando nomes na lista vermelha da Interpol. Carlos Henrique foi capturado em Santa Bárbara d’Oeste (SP), ao passo que Carlos Eduardo já estava detido por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo (SP). A captura dos foragidos em solo paulista envolveu um cerco rigoroso e monitoramento de inteligência. “Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, relatou o delegado da PCPR Thiago Teixeira.

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