Paraná bate recorde de vacinação com 87 milhões de doses aplicadas

Paraná bate recorde de vacinação com 87 milhões de doses aplicadas

O Paraná conseguiu reverter um cenário de quase dez anos de queda nas taxas de imunização, impulsionado anteriormente pela disseminação de informações falsas e pelo crescimento de movimentos contrários à vacinação, situação que se agravou durante a pandemia de Covid-19. Com uma ampla articulação entre a administração estadual e as prefeituras locais, o território paranaense alcançou a sua maior cobertura vacinal da última década, acumulando a marca de mais de 87 milhões de doses aplicadas conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e do Ministério da Saúde.

A virada nos índices de imunização

O ponto mais crítico dessa retração ocorreu em 2021, período em que o estado atingiu a meta estipulada pelo Ministério da Saúde, que é de 90%, em apenas uma vacina: a de HPV aplicada em meninas, alcançando 93%. A partir de 2023, com o reforço nas políticas públicas da área, os números voltaram a subir de forma expressiva.

Nos anos de 2024 e 2026, o Paraná passou a cumprir as metas estabelecidas em dez imunobiológicos distintos, superando inclusive os patamares observados em 2015. A vacina BCG, por exemplo, saltou de 82% em 2021 para 100% em 2026. No mesmo intervalo, a poliomielite avançou de 80% para 95%, enquanto a pentavalente evoluiu de 81% para 94%.

Estratégias de mobilização e parceria com municípios

Essa transformação no cenário epidemiológico decorre de um planejamento conjunto executado pela Sesa em parceria com os 399 municípios paranaenses. A base do projeto envolveu a capacitação das equipes municipais para o mapeamento territorial e a formulação de táticas regionalizadas. As escolas também atuaram como pontos estratégicos, com a checagem de mais de 1,2 milhão de cadernetas de estudantes, o que resultou na aplicação direta de 509 mil doses.

Adicionalmente, o estado aderiu ao Pacto pela Consciência Vacinal, promoveu o funcionamento de postos de saúde aos sábados durante os Dias D, executou iniciativas extramuros e intensificou a proteção sanitária nas áreas de fronteira.

“É fundamental destacar que a atualização contínua da caderneta de vacinação é a melhor e mais eficaz estratégia para reduzir o risco de reintrodução de vírus e a circulação de doenças evitáveis, como a influenza, a poliomielite e o sarampo”, disse a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes. “A marca de 87 milhões de doses aplicadas reflete o esforço conjunto do Governo do Estado com os gestores municipais e os trabalhadores da saúde em cada um dos 399 municípios paranaenses”, ressaltou.

Destaque no cenário nacional e regional

O conjunto de ações posicionou o estado na primeira colocação da Região Sul em todas as vacinas que compõem o calendário infantil para menores de dois anos, além de garantir posições de destaque em âmbito nacional. O Paraná lidera a cobertura do país na primeira dose da tríplice viral, com 100% contra 94% da média brasileira, na segunda dose do mesmo imunizante, com 87% frente a 79%, e na hepatite A infantil, com 89% em comparação aos 83% nacionais.

O estado ocupa ainda o segundo lugar brasileiro na poliomielite (95%), pentavalente (94%), rotavírus (97%), meningocócica (96%), febre amarela (89%) e varicela (87%), além de assegurar o terceiro posto na pneumocócica (97%). O público adolescente também apresentou adesão expressiva à vacina contra o HPV, registrando 91% de cobertura entre as meninas e 87% entre os meninos. O índice masculino demonstra forte avanço desde a inclusão no SUS em 2017, quando a adesão era de apenas 28%, enquanto o público feminino é imunizado desde 2014.

“Quando aumentamos as coberturas, criamos um escudo real contra a reintrodução de vírus”, afirmou Maria Goretti. “Vemos isso na prática no mapeamento do Ministério da Saúde sobre o sarampo, reduzimos em 45% o número de cidades paranaenses em alto risco e aumentamos em 172% os municípios em médio risco. É com essa barreira vacinal forte que o Paraná já completa seis anos consecutivos sem registrar nenhum caso da doença”, acrescentou.

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