Clássico de Shakespeare estreia no Teatro de Comédia do Paraná
O Teatro de Comédia do Paraná (TCP) prepara o seu retorno aos palcos para o mês de novembro com uma nova e aguardada montagem de um dos maiores clássicos da dramaturgia mundial: “Muito Barulho por Nada”, obra de William Shakespeare. Fundado em 1963 e gerido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra, o TCP acumula mais de 70 produções e carrega uma história fundamentada no vanguardismo artístico.
Serviço de temporada e ingressos As apresentações ocorrem de 12 de novembro a 6 de dezembro, no Auditório Salvador de Ferrante, conhecido como Guairinha, situado no Teatro Guaíra. O público poderá conferir o espetáculo de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18 horas. Os bilhetes custam R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira), com comercialização pelo site DiskIngressos e na própria bilheteria física. Todas as exibições contarão com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.
Direção e equipe criativa A direção geral do projeto é de Paulo de Moraes, premiado diretor artístico da Armazém Companhia de Teatro — fundada em Londrina em 1987 e sediada no Rio de Janeiro desde 1998. Moraes também assina a versão dramatúrgica em parceria com Maurício Arruda Mendonça. O diretor destaca a genialidade do texto shakespeariano e exalta a força da protagonista: “Essa é uma peça realmente genial. Consegue se adaptar ao tempo em que ela é montada e oferece personagens muito especiais. Beatriz, por exemplo, que é a protagonista da nossa história, é uma das personagens mais inteligentes, incisivas e verbalmente poderosa criadas por Shakespeare”.
Natural de Cornélio Procópio, no Norte paranaense, Moraes mantém fortes laços com sua terra natal. “Eu me considero pé vermelho mesmo. E o Teatro de Comédia do Paraná é uma instituição com uma história linda. Tanta gente relevante já passou por aqui. Para mim, é uma alegria e uma honra dirigir esse novo espetáculo do TCP”, declara. A equipe artística conta ainda com Pagu Leal na assistência de direção, Ricco Vianna na direção musical, Carla Berri e Paulo de Moraes na cenografia, Maneco Quinderé na iluminação, Eduardo Giacomini nos figurinos e Carlos Cavalcante na direção de movimento.
Elenco selecionado por edital público O grupo de atores e atrizes que dá vida aos personagens foi escolhido por meio de um edital de chamamento público promovido em duas fases pelo Centro Cultural Teatro Guaíra. A primeira etapa eliminatória avaliou documentação, regularidade e vídeos de performances. A seguinte consistiu em testes presenciais de canto, voz, corpo e atuação. O elenco reúne Brenda Sodré, Fábyo Rolywer, Giorgia Conceição, Juliana Guiné, Larissa Hütner, Leandro Oliveira, Leo Campos, Nathan Milléo Gualda, Pablito Khucarz, Paulo Chierentini, Sidy Correa e Uyara Torrente.
Sobre a composição do grupo, o diretor pontua: “Eu encontrei aqui no TCP um elenco muito talentoso e muito diverso. Alguns com muita experiência, outros muito jovens. E eu acredito que essa mistura está criando um molho muito saboroso”. Ele ainda acrescenta: “Existe em todos nós uma tentativa de realmente criar alguma coisa diferenciada, de oferecer para o público uma experiência teatral contundente. Está todo mundo muito dedicado a isso. Esse encontro, para mim, tem sido um encontro muito feliz”.
Enredo e tom da montagem A história se passa na cidade italiana de Messina e explora os cruzamentos entre amor, ciúme e orgulho por meio de intrigas, mal-entendidos, ironia e humor. A adaptação acompanha dois caminhos distintos percorridos por casais rumo ao amor. “Eu acredito que Shakespeare oferece, nesta peça, uma espécie de tratado sobre a mentira, sobre o engano e sobre as ilusões que nós construímos sobre nós mesmos. E ele usa a descoberta do amor para falar sobre isso. Essa mistura de amor e mentira cria mundos muito intensos para a gente navegar”, analisa o diretor.
Apesar da forte condução cômica, a trama reserva momentos de tensão baseados na busca pela verdade. “E isso é muito interessante, porque brinca com os sentimentos de quem assiste. A gente tentou na montagem não trabalhar muito a partir da farsa: tentamos encontrar a verdade em tudo, tanto nesses momentos divertidos quanto nos que não são tão divertidos assim”, conclui Moraes.
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