Estudantes do Paraná criam tinta ecológica à base de terra
A busca por soluções sustentáveis e acessíveis para o dia a dia inspirou três estudantes da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação do Colípio Estadual Cívico-Militar Professor Francisco Villanueva, localizado em Rolândia, no Norte do Estado, a criarem uma alternativa ecológica aos produtos convencionais.
O projeto inovador Intitulada Earth Paint – Tinta Ecológica à Base de Terra, a iniciativa foi desenvolvida pelas alunas Jenifer Lot, Júlia Lot e Yumi Nishimura. O objetivo principal é combater os impactos ambientais e os riscos à saúde humana provocados pelas substâncias químicas presentes nas tintas industriais tradicionais.
A chamada geotinta aproveita diferentes tonalidades de solos combinados com aglutinantes e fixadores naturais. Desse modo, o projeto une baixo custo, menor agressão ao ecossistema e alta viabilidade técnica para diversas superfícies.
Incentivo à ciência O secretário de Estado da Educação do Paraná, Roni Miranda, ressaltou a importância da iniciativa para o desenvolvimento dos jovens na rede pública de ensino. “Ver estudantes dos ensinos Fundamental e Médio mobilizadas em pesquisas de impacto socioambiental mostra como o ambiente escolar paranaense incentiva a inovação e o pensamento crítico. Projetos como esse comprovam que os nossos jovens têm capacidade técnica e criativa para propor soluções reais para o mundo”, afirmou.
Metodologia e testes laboratoriais O desenvolvimento da pesquisa passou por rigorosas etapas experimentais. Inicialmente, o grupo coletou amostras de solo e realizou o peneiramento para remover impurezas antes de formular as primeiras misturas da tinta sustentável.
“No primeiro experimento, fizemos uma receita mais simples, utilizando cola branca, terra, alho e óleo de girassol. Durante o período de observação, percebemos que, após algumas semanas, houve perda de homogeneidade e formação de bolor, o que mostrou a necessidade de aprimorar os componentes”, explicou a estudante Júlia Lot durante a apresentação dos testes.
Evolução da fórmula Com o avanço dos estudos, a equipe conseguiu aperfeiçoar a receita utilizando cal virgem hidratada, cola PVA e óleo de linhaça. Os novos ingredientes garantiram maior durabilidade e melhor acabamento ao produto ecológico.
“O óleo de linhaça ajudou a dar um aspecto mais uniforme e liso à tinta, além de auxiliar na impermeabilização, enquanto a cal contribuiu para a consistência e fixação”, apontou a estudante Yumi Nishimura. A mistura já apresenta excelente aderência em madeira e papel, com futuros testes planejados para alvenaria.
Reconhecimento científico O sucesso da geotinta rendeu participação em importantes eventos acadêmicos, como a Feira Londrinense de Inovação e Ciências, a Feira de Inovação, Tecnologia e Ciências e a Feira Científica do Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação do Paraná.
A professora e orientadora Karina Afini celebrou os resultados alcançados pelas alunas ao longo do ano letivo. “Fico muito orgulhosa dos meus alunos em vê-los se destacando em diferentes contextos sociais. A geotinta foi testada em telas artísticas e suportes de madeira, revelando uma rica variação de cores e texturas obtidas a partir de diferentes amostras de terra”, relatou.
Conquistas da instituição Ao todo, a unidade de ensino já acumula dezoito participações em feiras científicas neste ano, abrangendo nove projetos diferentes. Entre as conquistas estão vagas para eventos em âmbito nacional e internacional, incluindo credenciamento para a Milset Expo-Sciences International, que ocorrerá no Kuwait em 2027.
Além do sucesso coletivo da pesquisa, a estudante Jenifer Lot atualmente expande seus horizontes acadêmicos no exterior por meio do programa de intercâmbio internacional Ganhando o Mundo, promovido pelo Governo do Estado.
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