Cuidados com animais peçonhentos no PR após chuvas

Cuidados com animais peçonhentos no PR após chuvas

O calor intenso aliado ao grande volume de chuvas registrado recentemente tem impulsionado a circulação de animais peçonhentos em território paranaense, acendendo o alerta da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para o risco elevado de acidentes. Nesse período, a busca por alimento, o metabolismo acelerado e o ciclo reprodutivo tornam essas espécies mais ativas, coincidindo também com a intensa movimentação de pessoas em áreas rurais, litorâneas e de vegetação.

Entendendo os animais peçonhentos Esses bichos destacam-se por produzirem toxinas e contarem com aparatos biológicos específicos — a exemplo de ferrões, dentes modificados e aguilhões — capazes de inocular o veneno. O grupo engloba serpentes, abelhas, lagartas, aranhas e escorpiões.

Estatísticas de aranhas e escorpiões No Estado, a maior incidência de ocorrências envolve aranhas e escorpiões. No ano de 2025, foram contabilizados 9.558 casos com aranhas e 8.472 com escorpiões. Já nos primeiros dez meses deste ano, os registros preliminares apontam 6.543 acidentes com aranhas e 7.180 com escorpiões, sem óbitos notificados no período, enquanto 2025 registrou quatro mortes por escorpião.

O perigo letal das abelhas Ocupando a terceira posição, os acidentes com abelhas somaram 2.342 registros, mas lideram em termos de gravidade. Somente neste ano, 12 pessoas morreram em decorrência de choque anafilático ou envenenamento gerado por múltiplas ferroadas.

“É preciso muita atenção com os animais peçonhentos, pois eles podem estar dentro de casa, nos armários ou em locais que não esperamos, como atrás de um móvel ou algum objeto”, lembra o secretário estadual da Saúde, César Neves. “Por isso é sempre importante manter a atenção e também seguir as orientações da saúde pública para manter ambientes limpos, sem entulho e, no caso de um acidente, buscar uma unidade de saúde o mais rápido possível”, enfatiza.

Medidas urgentes para picadas de abelhas Diante de ataques com múltiplos insetos, a busca por socorro médico deve ser imediata. A retirada dos ferrões precisa ser feita exclusivamente por raspagem, dispensando o uso de pinças. Reações alérgicas severas demandam intervenção rápida com suporte respiratório e adrenalina, enquanto casos de picadas múltiplas exigem hidratação venosa e o uso de broncodilatadores.

A recomendação oficial é manter distância de espécies agressivas, como as abelhas africanas. A eliminação de colmeias em áreas residenciais ou públicas deve ser realizada estritamente por equipes capacitadas, de preferência ao entardecer ou à noite, momento em que os insetos reduzem a atividade.

Prevenção e controle de escorpiões A proliferação de escorpiões preocupa as autoridades sanitárias. Em 2025, os óbitos registrados envolveram três crianças e um adolescente, público que apresenta maior vulnerabilidade devido à menor massa corporal. No Paraná, destacam-se três espécies de importância médica: Tityus stigmurus, Tityus bahiensis e o Tityus serrulatus (escorpião amarelo), sendo este último o vetor das complicações sistêmicas mais severas.

Para mapear e conter a população desses animais, a Sesa contabilizou o envio de mais de 72 mil espécimes ao Laboratório de Taxonomia Animal, sendo 93% compostos pelo escorpião amarelo.

Rede de atendimento e soros antivenenos O Estado dispõe de 211 pontos de distribuição para o fornecimento de soros antivenenos, incluindo o Soro Antiaracnídico e o Soro Antiescorpiônico, estrategicamente espalhados pelas regionais de saúde.

Entre os aracnídeos, a atenção médica concentra-se na aranha-marrom e nas armadeiras. “A estrutura da Sesa se amplia e se organiza para poder atender as pessoas que sofrem um acidente com os animais peçonhentos. É muito importante que todos tenham consciência dos casos em que são necessários atendimento médico e buscar uma unidade de saúde, que vai orientar o próximo passo, seja o tratamento ou o encaminhamento para o soro”, reforça a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Gorettti.

Orientações essenciais de prevenção A adoção de hábitos simples no cotidiano ajuda a afastar escorpiões e aranhas dos lares: – Manter jardins, quintais e terrenos baldios limpos, além de evitar acúmulo de entulhos – Manter a grama aparada e evitar folhagens densas junto às paredes da casa – Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los – Não colocar a mão em buracos, debaixo de pedras ou troncos podres – Colocar soleiras nas portas e janelas para evitar que eles entrem durante a noite – Usar telas em ralos, pias ou tanques – Combater a proliferação de insetos – Vedar frestas e buracos nas paredes ou nos pisos – Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão. Examinar roupas, principalmente camisas, blusas e calças antes de vestir – Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar baratas, moscas ou outros insetos de que se alimentam os escorpiões – Preservar os inimigos naturais de escorpiões e aranhas: aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos e sapos

Canais de orientação toxicológica Para esclarecer dúvidas sobre intoxicações e acidentes com animais peçonhentos, a população e os profissionais de saúde contam com o suporte via teleconsultoria dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica: – CIATox PR: 0800 041 0148 – CIATox Londrina: (43) 3371-2244 – CIATox Maringá: (44) 3011-9127 – CIATox Cascavel: (45) 3321-5261

O cenário reforça que a limpeza constante dos quintais e a atenção redobrada ao vestir calçados ou manipular materiais armazenados são as principais defesas para evitar complicações graves à saúde neste período chuvoso.

Portal Max Noticia - Voce Sempre Informado!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *