Investigação sobre R$ 55,5 milhões desviados da saúde revela possível conexão com tráfico internacional de drogas
Denúncia do Ministério Público Federal aponta movimentações financeiras suspeitas envolvendo organizações que mantinham contratos com municípios paranaenses. Foz do Iguaçu está entre as cidades relacionadas à investigação.
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) revelou indícios de um complexo esquema de movimentação irregular de recursos públicos destinados à saúde. O caso envolve aproximadamente R$ 55,5 milhões e apresenta um agravante: a suspeita de utilização da mesma estrutura financeira para movimentar dinheiro relacionado ao tráfico internacional de cocaína.
As apurações apontam para a atuação de pessoas ligadas aos institutos Corpore e Civitas, organizações que firmaram parcerias com prefeituras para prestar serviços públicos, principalmente na área da saúde.
Cinco pessoas foram denunciadas à Justiça Federal por suposta participação nas irregularidades. Entre os crimes investigados estão desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos tributários.
Contratos com municípios estão no centro das apurações
A investigação abrange relações contratuais mantidas pelas entidades com diferentes administrações municipais do Paraná.
Entre as cidades mencionadas está Foz do Iguaçu, além de Assaí, Bela Vista do Paraíso, Curiúva, Farol, Figueira, Goioerê, Peabiru e Reserva.
A presença desses municípios no levantamento indica a existência de vínculos contratuais com as organizações investigadas, mas não representa comprovação de participação das prefeituras ou de seus representantes nas irregularidades.
Segundo os investigadores, o suposto esquema teria operado entre 2014 e 2022, utilizando empresas para justificar transferências financeiras que, na avaliação do MPF, não correspondiam a serviços efetivamente prestados.
Dinheiro público teria sido distribuído por diferentes caminhos
Os levantamentos financeiros identificaram aproximadamente R$ 25,3 milhões em transferências para empresas suspeitas de não terem executado os serviços contratados.
Outros R$ 14,8 milhões teriam sido repassados diretamente a dirigentes das entidades, enquanto cerca de R$ 15,3 milhões teriam circulado por meio de terceiros.
As investigações também apontam suspeitas de aquisição de imóveis de alto padrão e veículos importados com recursos supostamente provenientes das operações.
Contas bancárias também aparecem em investigação sobre narcotráfico
A conexão com o tráfico internacional de drogas é um dos elementos mais graves do caso.
De acordo com o Ministério Público Federal, contas bancárias utilizadas nas movimentações investigadas também teriam recebido dinheiro relacionado ao comércio internacional de cocaína com destino à Europa.
O MPF aponta ainda que o suposto mentor intelectual do grupo possui condenação de 31 anos de prisão relacionada à Operação Narcobroker, que investigou uma organização envolvida no tráfico internacional de drogas. A condenação estava em fase de recurso na segunda instância quando as informações foram divulgadas.
A suspeita é de que a estrutura financeira utilizada nas operações envolvendo os institutos também tenha servido para ocultar ou movimentar recursos de origem criminosa.
Denúncia envolve cinco investigados
Foram denunciados André Luis Ulrich, Crys Angélica Ribeiro de Carvalho, Rodrigo Reis Cirino, James Lopes e Célia Maria Ulrich.
Além dos valores relacionados ao suposto desvio de recursos públicos, o MPF identificou possíveis irregularidades fiscais que poderiam representar aproximadamente R$ 98,1 milhões em tributos e contribuições previdenciárias não recolhidos.
Esse valor corresponde a uma frente distinta da investigação e não deve ser somado ao montante de R$ 55,5 milhões apontado como possível prejuízo aos cofres públicos.
Justiça Federal vai analisar as acusações
A ação tramita na Justiça Federal de Curitiba. A denúncia foi recebida em março de 2026, dando continuidade ao processo criminal.
O Ministério Público solicita a condenação dos denunciados, a perda de bens supostamente relacionados às atividades criminosas e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O caso reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre os recursos públicos destinados à saúde e sobre os contratos firmados entre prefeituras e organizações privadas responsáveis pela execução de serviços públicos.
As acusações ainda dependem de julgamento, e os investigados devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
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