Temporais no PR destroem mais postes que batidas de carros
As fortes tempestades impulsionadas pelo fenômeno El Niño causaram estragos severos na rede elétrica do Paraná, superando com folga o volume de estruturas danificadas por acidentes de trânsito. Entre setembro e o começo de novembro, a Copel realizou a troca de 4.048 postes derrubados pelos temporais, superando em 40% a quantidade de estruturas destruídas por colisões de veículos em todo o território estadual durante quase doze meses inteiros.
Impacto financeiro e logístico na rede elétrica O montante financeiro direcionado apenas para substituir e realinhar os mais de 4 mil postes atingidos pelas intempéries chegou a cerca de R$ 11 milhões. Este valor foi totalmente absorvido pelos aportes que a companhia destina especificamente para enfrentar contingências climáticas.
O superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, Paulo Valadão, detalhou os impactos: “Os efeitos das tempestades quebraram ou derrubaram estruturas inteiras da rede elétrica. Para substituir e aprumar os mais de 4 mil postes afetados pelos eventos recentes, a Copel investiu cerca de R$ 11 milhões, um custo coberto pelos investimentos da companhia em infraestrutura para contingências climáticas”.
O especialista também pontuou sobre o tempo necessário para o trabalho das equipes em campo. “É um conjunto de situações que tem impacto direto no tempo de execução dos serviços e, consequentemente, da recomposição da rede e o religamento dos clientes”, complementa Valadão, ao explicar que a troca de uma única estrutura pode levar de três a seis horas.
Comparativo com acidentes de trânsito Analisando o período de 1º de janeiro até o início de novembro, as equipes paranaenses trocaram 2.891 estruturas que foram danificadas por batidas de veículos nas cidades. Isolando o mesmo recorte temporal das tempestades, de 1º de setembro a 5 de novembro, os acidentes de trânsito provocaram a troca de 504 postes. Com isso, os estragos causados pelas intempéries climáticas superam em impressionantes 703,17% os danos gerados por motoristas no mesmo intervalo.
Vale destacar que estas estatísticas contabilizam exclusivamente os postes, deixando de fora transformadores, cabos rompidos, religadores automáticos e demais componentes da infraestrutura elétrica afetados pelas quedas.
Tornados e eventos extremos no Paraná O Estado enfrentou uma série de ocorrências meteorológicas severas previstas pelos meteorologistas para o último quadrimestre. Um exemplo drástico ocorreu no feriado de Finados, em 2 de novembro, quando Maringá sofreu o impacto de um tornado de categoria EF2 na Escala Fujita Aprimorada, apresentando ventos que variaram de 180 km/h a 253 km/h.
No momento crítico do temporal, por volta das 7h02, aproximadamente 89 mil unidades consumidoras — o equivalente a 40% de Maringá — ficaram sem eletricidade após a destruição de 372 postes, além de dezenas de quilômetros de fios rompidos e avarias em transformadores.
O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) registrou 13 tornados entre as categorias EF1 e EF2 no Estado ao longo do ano, distribuídos em janeiro (dois), fevereiro (um), junho (seis), agosto (um), setembro (dois) e novembro (um).
Além dos tornados, rajadas descendentes de vento (downbursts), tempestades de granizo e chuvas contínuas castigaram o território paranaense. Em 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições, o pico de interrupções atingiu 325 mil imóveis, embora as equipes tenham restabelecido a luz para mais de 90% desse total em menos de 24 horas.
Estatísticas de colisões veiculares Enquanto os eventos da natureza registraram alta, as ocorrências de trânsito que danificaram postes apresentaram decréscimo. Entre 1º de janeiro e 5 de novembro do ano anterior, foram substituídas 3.116 estruturas por esse motivo, fechando o ciclo com 3.610 trocas. No mesmo intervalo analisado deste ano, o número caiu para 2.891, representando uma redução de 7,2%.
Acidentes veiculares envolvendo a rede de distribuição continuam provocando blecautes localizados, prejudicando residências, comércios e serviços essenciais até que os técnicos concluam os consertos necessários.
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