Hospital Zona Norte de Londrina celebra 10 anos de cuidados paliativos
Referência no atendimento humanizado a pacientes com doenças graves e que ameaçam a vida, a Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Zona Norte de Londrina (HZNL) completou 10 anos de funcionamento, marcando uma década de dedicação à melhoria da qualidade de vida dos enfermos e ao suporte aos seus familiares.
A trajetória de uma década da unidade Iniciada em abril de 2016 por iniciativa dos profissionais de saúde da instituição e de uma comissão interna, a unidade implantou uma enfermaria com suporte terapêutico específico. Atualmente, o setor dispõe de duas enfermarias com oito leitos exclusivos, além de contar com equipe multiprofissional e apoio de voluntários. O espaço foi um dos primeiros de internação exclusiva para esta modalidade no estado do Paraná.
“Esta unidade do Hospital Zona Norte de Londrina foi uma das primeiras de internação exclusiva para esta modalidade no Paraná. Tem o objetivo de aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e promover a autonomia da pessoa adoentada, além de apoiar os cuidadores e as famílias envolvidas. Nossa intenção é seguir fortalecendo essa política pública valiosa para quem está em um momento terminal”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
O impacto na vida dos pacientes e familiares O impacto desse trabalho na vida das famílias pode ser ilustrado por relatos marcantes, como o de Wilson de Souza, que em 2018 esteve internado na unidade aos 80 anos, lidando com problemas cardíacos e um câncer de próstata avançado. Sua filha, Eunice Aparecida Souza, relembra o acolhimento recebido pela equipe médica durante o momento delicado.
“A princípio a gente não entende o que é cuidado paliativo, como funciona, mas o jeito do médico explicar sobre isso acalmou meu coração, tranquilizou a minha família, e a gente aceitou a proposta. Ele me fez entender que esse tratamento não é com medicamento, é com sentimento, que abraça, com dedicação, enfim, é um cuidado especial para que o paciente não sofra, nem tenha muita dor”, diz Eunice.
Ela destaca ainda a importância desse suporte humanizado para quem acompanha o ente querido.
“O que eu e a minha família sentimos nesse período que meu pai precisou, se faz necessário para o familiar que tem um paciente nessa situação. Porque a gente nunca pode falar que não tem o que fazer, sempre tem o que fazer”, destacou ela.
Eunice disse ainda que, sempre que fala nesse assunto e conta a experiência com seu pai, ela agradece. “Vi a evolução do carinho, do cuidado, para mim é inexplicável, não dá para medir. O paliativo é um tratamento do coração, do amor e do acolhimento do paciente e também da família que se sente apoiada em todos os sentidos”.
“O tratamento que meu pai teve no hospital durante o tempo que ficou internado foi diferenciado. Meu pai ficou internado por um mês e morreu com dignidade”, finalizou.
O olhar humano da enfermagem A diretora de Enfermagem do Hospital Zona Norte, Mary Mishina Okano, ressaltou o compromisso da equipe com esse serviço ao longo dos últimos 10 anos.
“Têm sido anos de um trabalho humano, sensível, dedicado e necessário. Feito com muita competência, muita ética, acolhimento e, acima de tudo, respeito à vida e à dignidade de cada pessoa cuidada”, afirmou.
Ela acrescenta que cuidar vai muito além de tratar uma doença.
“É olhar para aquela pessoa, enxergar seus medos, ouvir seus desejos, acolher sua família e entender que, por trás de cada paciente, existe uma história, existem sentimentos. Os cuidados paliativos nos ensinam algo muito importante: nem sempre podemos curar, mas sempre podemos cuidar. Nem sempre podemos mudar o rumo de uma doença, mas podemos mudar a forma como alguém atravessa este momento”.
Expansão na rede pública do Paraná Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que, entre janeiro e agosto, foram registrados 2,6 mil atendimentos voltados a cuidados paliativos na Atenção Primária à Saúde em todo o Paraná, sendo 144 apenas em Londrina. Com a publicação da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) em 2024, o estado conta com dez equipes matriciais qualificadas.
O Paraná já capacitou cerca de 10 mil profissionais de saúde da Rede de Atenção e sensibilizou mais de 2 mil gestores, além de avançar na construção do Plano Estadual de Cuidados Paliativos para ampliar ainda mais o acesso da população a essa abordagem essencial.
“O Paraná, pelo segundo ano consecutivo, se destaca no cenário nacional com relação aos atendimentos desta área, e há a perspectiva de ampliar o acesso a esta abordagem em todo o Estado, nos próximos anos. Incentivamos a capacitação de mais profissionais, a formação de equipes multiprofissionais na rede pública, e a participação também de projetos nacionais sobre essa abordagem, justamente para que estejam aptos a lidar com a complexidade das condições graves, agudas ou crônicas, que causam sofrimento aos pacientes acometidos”, ressaltou o secretário César Neves.
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